EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
Desde
o primeiro momento em que os seres humanos
começaram a interagir com o mundo ao
seu redor e a ensinarem seus filhos a fazerem
o mesmo, estava havendo educação
e educação ambiental. Os povos
nativos, por exemplo, desenvolveram uma percepção
sofisticada dos sistemas naturais que os rodeiam
e um profundo respeito por eles, passando
esse conhecimento e respeito de geração
em geração. Com o passar do
tempo, mudaram as razões subjacentes
e os modos de fazer isso.
Inicialmente,
a relação com o meio ambiente
estava ligada tão visceralmente à
questão da sobrevivência que
nenhuma outra razão era mais necessária.
Tratava-se de uma relação que
dizia respeito de como viver num mundo cuja
natureza era externa e mais poderosa do que
os homens, que os afetava mais do que era
afetada por eles. Todos precisavam saber quais
frutos serviam para comer, onde encontrar
água durante a seca, como evitar onças,
que plantas serviam como bons materiais de
construção, faziam um bom fogo
ou um bom remédio.
O
conhecimento ambiental era também necessário
para a proteção contra os ataques
da natureza e para o aproveitamento das suas
riquezas. Porém, a interação
entre os homens e o ambiente ultrapassou a
questão da simples sobrevivência.
A natureza mostrou-se também fonte
de alegria, beleza, identidade e status pessoal,
de inspiração para a música,
arte, religião e significado, enfim,
valores internos e, perenes pelos quais se
quer lutar:
Com
a urbanização e evolução
da civilização humana, a percepção
da ambiente mudou drasticamente. A natureza
começou a ocupar uma posição
de subserviência em relação
à humanidade. Passou a ser conhecida
para que fosse dominada e explorada. A parte
da natureza considerada inútil era
estudada basicamente para satisfazer a curiosidade
das pessoas a respeito do seu mundo. o estudo
do meio ambiente tornou-se, ou uma ciência
prática de extração de
recursos, ou " um estudo do mundo natural"
- catálogo e descrições
das maravilhas naturais. Nos dois casos, a
natureza era considerada como algo separado
e inferior à sociedade humana.
No
entanto, até mesmo essa motivação
manipulativa tem seu lado transcendente. O
crescente conhecimento científico revelou
cada vez mais maravilhas - o código
genético contido nas moléculas
do DNA no núcleo da célula,
a interdependência equilibrada de toda
as espécies numa floresta tropical,
a expansão do universo e a aparente
singularidade, fragilidade e isolamento do
nosso planeta, tão bem estruturado
e capaz de produzir a vida. A admiração
também foi transmitida a cada nova
geração.
A
educação formal institucionalizou-se
através das escolas, que configurando-se
como educação ambiental, passou
a figurar em muitos tópicos de programas
e em muitas disciplinas, mas firmou suas bases
especialmente nas ciências. Havia uma
esperança não expressa de que
todas as ciências, quando se interligassem,
iriam compor um quadro completo de como o
planeta funciona e de como os seres humanos
podem interagir com ele de maneira proveitosa.
Porém,
como o volume de informações
a ser aprendida em cada ciência crescesse
e as pessoas se especializassem cada vez mais,
ninguém pôde reunir todas as
disciplinas para uma visão total do
planeta, muito menos para compreensão
de sua interação com os sistemas
culturais e econômicos da humanidade.
Além do mais, no fim dos anos sessenta
e início dos anos setenta muitos problemas
ambientais reais e urgentes tornaram-se avassaladoramente
gritantes. Desertos foram se espalhando, a
poluição do ar ameaçava
a saúde dos moradores das cidades,
lagos secavam, os solos erodiam.
Muitos
desses problemas transcendiam as fronteiras
nacionais; eram o resultado do desarranjo
de processos ambientais regionais ou mesmo
globais, devido a enormes impactos causados
pela sociedade humana. Esses problemas não
se encaixaram em projetos educativos ou disciplinas
científicas isoladas; eles ilustraram
o fato de que a vida humana depende de processos
naturais complexos, interconectados, de larga
escala, que não podem absorver uma
quantidade ilimitada de abusos.
Assim,
para que esses processos se desenvolvam bem,
precisamos começar a entendê-los
melhor e a redirecionar as atividades humanas
levando-os em conta. A natureza passou a ser
vista como algo afetado, em geral de maneira
desastrosa, pela sociedade humana que, por
sua vez, tornou-se a agressora do ambiente
- sua vítima. Aí, o conhecimento
tornou-se necessário para proteger
a natureza e corrigir os erros ecológicos.
Todas
essas razões históricas para
a educação ambiental ainda são
válidas. As pessoas continuam precisando
compreender as funções ambientais
básicas, a fim de produzirem alimentos,
encontrarem água e adaptarem-se ao
clima. Precisam compreender a ciência
e a tecnologia para modelarem e perpetuarem
as positivas conquistas do mundo moderno.
E precisam gerenciar a saúde do ambiente
e protegê-lo contra ataques insensatos.
Porém, uma razão mais completa
e construtiva para a educação
ambiental está surgindo da combinação
de todas as outras razões. A educação
ambiental é necessária para
o gerenciamento criterioso deste binômio
totalmente interdependente: economia/ambiente.
Sociedade
e natureza, de fato, interagem afetando-se
mútua e eqüitativamente, porém,
ambas vitalmente importantes; crescem ou desaparecem
juntas. Os seres humanos não são
vítimas, nem senhores da natureza,
mas guardiões de algo que não
deve ser explorado irracionalmente, nem permanecer
totalmente intocado. Compreender isso é
necessário para promover as ações,
invenções e organizações
sociais que respeitem a viabilidade, estabilidade
e produtividade, tanto da sociedade humana
como dos sistemas naturais nos seus milhares
de interações. A Carta de Belgrado,
escrita em 1975 por vinte especialistas em
educação ambiental de todo o
mundo, declara que a meta da educação
ambiental é:
Desenvolver
um cidadão consciente do ambiente total
( preocupado com os problemas associados a
esse ambiente e que tenha o conhecimento,
as atitudes motivações, envolvimento
e habilidades para trabalhar individual e
coletivamente em busca de soluções
para resolver os problemas atuais e prevenir
os futuros. Esse objetivo já é
em si um motivo suficiente para qualquer nação
promover a educação ambiental.
Qual o país que não precisa
de um cidadão como esse? Mas existem
ainda outras boas razões, em muitos
níveis, para que um país promova
seriamente a Educação Ambiental
a saber:
Aprender,
partindo dos exemplos de outros, a evitar
seus erros e imitar seus sucessos;
Prever
e evitar desastres ambientais, especialmente
aqueles irreversíveis;
Fazer
render ao máximo os recursos naturais
com que o país foi dotado: administrar
esses dons de modo eficiente, produtivo e
sustentável:
Ser
capaz de implementar políticas como
o reflorestamento, a reciclagem ou o planejamento
familiar, que requerem a cooperação
de todas as pessoas:
Economizar
dinheiro, evitando os danos ambientais no
lugar de ter de repará-los posteriormente;
Desenvolver
a opinião pública no sentido
de evitar o pânico e o exagero, porém
respeitando a verdadeira urgência das
questões;
Permitir
que as pessoas se tornem cidadãos informados
e produtivos do mundo moderno;
Assegurar
um ambiente enriquecedor que dê segurança
e alegria às pessoas, ao qual elas
se sintam econômica, emocional e espiritualmente
conectadas.
Texto
Extraído do documento: "Conceitos
para Fazer Educação Ambiental"
Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São
Paulo |