| FOTOS
DO TREKKING |
| CEMJ - 7ª E & F | 18-03-2009 |
| CEMJ - 7ª A & B | 04-11-2009 |
O homem consegue passar aproximadamente:
2 minutos sem respirar, 3 dias sem tomar água e 1 mês sem comer.
Em outras palavras, sem ar (oxigênio), água e comida a vida
humana seria impossível.
A exploração indiscriminada e irresponsável dos recursos
naturais renováveis ou não, a falta de informação
e/ou educação, a cultura de ver o Homem como ser absoluto
e separado da Natureza, a necessidade do Homem de acumular riquezas, a má
distribuição de renda e as enormes desigualdades sociais causam
a degradação do Meio Ambiente que propiciou o surgimento e
desenvolvimento da vida Humana na Terra, diminuindo sua qualidade e, numa
projeção mais pessimista a longo prazo, inviabilizando-a.
A necessidade de uma gestão racional e responsável dos recursos
naturais, também chamada de "auto-sustentável",
será o tema central desta aula-passeio, focalizando principalmente
a questão que, segundo os cientistas e especialistas, será
o grande problema do século que se inicia, a água.
A caminhada começa na sede do Parque Municipal da Lagoa do Perí,
costeando a lagoa nota-se, na vegetação grande ocorrência
de uma espécie de Junco, que dá nome à lagoa, chamado
Perí. Nossas informações iniciais são para tornarmos
nossa caminhada consciente. A primeira parada é junto à comporta
feita pela CASAN para captar água da lagoa. Falaremos sobre a Lagoa
do Perí, da sua importância no frágil e magnífico
equilíbrio do ecossistema local.
A água de Florianópolis vem, principalmente, através
de tubulação por 25Km de distância, de Santo Amaro da
Imperatriz. Com o crescimento populacional cresce também, a demanda
de água, que deverá ser suprida pela Lagoa do Perí,
maior reserva de água doce e, portanto, maior manancial de água
potável da Ilha de Santa Catarina, razão pela qual foi tombada
(transformada em Unidade de Conservação), neste caso na forma
de Parque Municipal.
A caminhada segue por uma trilha em meio à mata, que tem sua manutenção
feita pela Floram (Fundação de Meio Ambiente de Florianópolis),
órgão responsável pela administração
do parque. Faremos uma parada de aproximadamente 40 min num grupamento de
pedras à beira da lagoa chamado de "Pedra do Jacaré",
para lanche, descanso, fotos e comentários. Aqui poderemos ver a
bacia de captação de água da lagoa formada pelos morros
cobertos de Mata Atlântica ao seu redor, eles funcionam como um verdadeiro
reservatório de água, fazendo com que a água seja retida
no solo e liberada lentamente para a lagoa, mesmo quando não há
chuva. De longe podemos ver árvores enormes que se destacam no meio
da mata, indicando um ambiente antigo e bem equilibrado, já que possui
uma grande variedade de espécies o que garante o equilíbrio
do ecossistema. Por exemplo, em uma plantação de cana que
podemos ver no alto do morro, só temos uma espécie, se ocorrer
uma doença em um indivíduo a doença pode se alastrar
e exterminar toda a plantação. Na mata preservada com a diversidade
de espécies algumas não são atingidas pelas mesmas
pragas que outras, perpetuando o ambiente como um todo.
A caminhada continua com pequenos obstáculos a serem vencidos sem
maiores dificuldades, com atenção, prudência e um pouco
de paciência. Espírito de equipe e companheirismo são
essênciais. A trilha é muito bonita, possui passagens feitas
de pedra, pequenas pontes de troncos e uma vegetação exuberante.
Chamamos a atenção para que todos "sintam" o ambiente.
Sons, cheiros, cores, texturas, luminosidade, temperatura e as diferentes
formas de vida aguçam nossos sentidos e nos transportam para um mundo
de sensações à muito esquecidas pela maioria dos da
nossa espécie. O ambiente está em equilíbrio e nos
faz sentir parte dele. Precisamos ajudar a preservá-lo.
Já no sertão do Perí extremo sul da lagoa chegaremos
às ruínas de um antigo engenho, passaremos pela frente da
casa do único morador local, o Sr. Miro, seguiremos até a
cachoeira para almoço e, para quem quiser, um banho refrescante.
Todo cuidado é pouco, a piscina formada pelas pedras esconde diversas
pedras no fundo, muitas recomendações e atenção
redobrada dos guias e professores, mergulhos e saltos são totalmente
proibidos. O local é lindo e recarrega nossas baterias do stress
da cidade onde vivemos. O barulho é o das águas, das árvores
e dos passarinhos. É hora do almoço!
Nossa caminhada agora, é uma subida até a localidade de Sertão
do Ribeirão onde faremos nossa penúltima parada. Preparo físico
e determinação são necessários para caminharmos
por uma trilha curta, porém, íngrime. Neste local belíssimo
é hora de assumir nossa condição de ser humano inteligente
no planeta. O lixo é o tema. A reciclagem de materiais, o gasto de
energia para produzir embalagens que estão em tudo o que compramos,
os recursos naturais renováveis e não renováveis. O
que será de nós sem petróleo. A reciclagem sem a participação
de todos é práticamente impossível. Podemos imaginar
as dificuldades para administrar uma sociedade com população
crescente com recursos naturais cada vez mais escassos. Água, energia
elétrica, saneamento, saúde, sistema viário, educação,
alimentação, habitação, esporte, cultura e lazer
são essênciais para nossa sociedade. Surgem novas necessidades
de profissionais que se engagem na luta pela melhoria da qualidade de vida,
otimizando a utilização desses recursos. É hora de
tomarmos consciência que o futuro do planeta também está
nas nossas mãos.
No alto uma pequena e última parada, só pra variar, o visual
é mais uma vez magnífico. De um lado, à leste, avistamos
a lagoa do Perí e o ponto onde começamos a caminhada, Morro
das Pedras, Ilha do Campeche e do outro, à oeste, o continente, os
contornos imponentes da Serra do Tabuleiro, a baía sul e o Ribeirão
da Ilha, onde o ônibus nos espera. Num último comentário
lembraremos que, ao final, teremos completado uma travessia de Leste à
Oeste da Ilha de Santa Catarina e percorrido cerca de 8km.
A caminhada ainda não terminou, pela estrada chegaremos até
a Costeira do Ribeirão da Ilha, cansados mas satisfeitos com nosso
dia de desafios, presentes e futuros.
